Pular para o conteúdo

Discurso do Núncio Apostólico no VIII Jantar Festivo

Discurso do Núncio Apostólico

Jantar de Gala Seminário Redemptoris Mater
Brasília, 3 de junho de 2026

Após saudar as autoridades civis e eclesiásticas presentes no VIII Jantar Festivo
promovido pelo nosso Seminário, Dom Giambattista Diquattro, Núncio Apostólico no Brasil,
dirigiu as seguintes palavras aos presentes:

Discurso do Núncio Apostólico

Jantar de Gala Seminário Redemptoris Mater
Brasília, 3 de junho de 2026

“Caríssimos diáconos, seminaristas, famílias em missão, irmãs em missão, benfeitores e amigos desta casa, Estamos reunidos diante de um sinal: cento e cinquenta presbíteros formados nesta casa em pouco mais de três décadas, e três diáconos que, no próximo dia primeiro de agosto, prostrar-se-ão para receber a imposição das mãos. Estes números não são uma estatística. São rostos, vocações, famílias que entregaram um filho a Cristo e à sua Igreja. A formação sacerdotal é o coração pulsante da missão. Quando o Concílio Vaticano II, na Presbyterorum Ordinis, exortou as Igrejas particulares a abrirem seus seminários ao serviço missionário universal, não propunha uma técnica pastoral: reabria a porta do Cenáculo onde Jesus disse aos Doze, vós sois meus amigos, e eu vos enviei. O presbítero diocesano missionário é exatamente este – amigo do bispo de sua Igreja particular e enviado por ele aos confins da terra. Hoje, deste Seminário Redemptoris Mater de Brasília, presbíteros servem em quinze nações e em vinte e cinco dioceses do Brasil. Este é o rosto missionário da Arquidiocese de Brasília. Quando uma Igreja particular forma sacerdotes dispostos a deixar tudo para anunciar Cristo numa periferia do sertão, numa selva africana ou numa cidade descristianizada da Europa, ela cumpre o mandato pascal – ide por todo o mundo – não como metáfora, mas como rota efetiva. Convém recordar o que o Santo Padre Leão XIV disse na Sala das Bênçãos, no dia dezenove de janeiro deste ano, recebendo os responsáveis do Caminho Neocatecumenal e os cento e quinze reitores dos Seminários Missionários Diocesanos do mundo inteiro. Dirigindo- se às famílias e equipes em missão, o Pontífice agradeceu àqueles que, nas palavras textuaisdo discurso, acolhendo o impulso interior do Espírito, deixam as seguranças da vida cotidiana e partem em missão. E concluiu com uma exortação que faço minha esta noite, pronunciada ipsis verbis pelo Santo Padre: Sigam em frente com alegria e humildade, sem fechamentos, como construtores e testemunhas de comunhão. O presbítero missionário não é homem de um grupo: é homem de uma Igreja, e por isso pode ser homem para todas as Igrejas. Os carismas, recordou ainda Leão XIV, devem estar sempre a serviço do Reino de Deus e da única Igreja de Cristo. É nesta chave de comunhão – e não fora dela – que se compreende a vocação missionária diocesana. A todos que foram ordenados, aos três que serão ordenados em agosto e a todos os seminaristas desta casa, digo: a Ratio Fundamentalis lnstitutionis Sacerdotalis recorda, no número cinquenta e dois, que a comunidade não é cenário acidental da formação, mas matriz dela. O seminarista forma-se em comunidade porque o presbítero vive em comunidade. A vida comum, a oração comum, a mesa comum, a correção fraterna e o exercício constante da comunhão presbiteral não são acessórios da espiritualidade sacerdotal: são parte do próprio ministério. Quem aprende a viver em comunidade no seminário aprende, na mesma medida, a sustentar comunidades como pastor. Aos benfeitores presentes, expresso o agradecimento de coração. Cada talher posto à mesa de um seminarista é um talher posto à mesa do Cristo missionário, que ainda hoje tem fome de operários para a sua messe. Que Maria, Mãe do Redentor, sob cuja invocação este Seminário foi erguido, conserve cada um destes filhos, presentes e ausentes, na fidelidade ao Evangelho e na disponibilidade incondicional ao envio”.

Núncio Apostólico: Dom Giambattista Diquattro